Uma ida ao não-tão-super mercado

29 Set 2011 Categoria: Publicando

Não é fácil encontrar a tal alimentação saudável no supermercado. E quanto maior o mercado, pior. De início, “maiores as opções”, você pensa. Um hiper-super mercado, a meu ver, deveria ter hiper-super-opções. E até mesmo alguém que não come carne, não bebe refrigerante e evita coisas excessivamente açucaradas e aditivadas poderia encontrar satisfação na hora das compras.

Mas não. Uma ida ao supermercado pode se tornar uma verdadeira batalha pessoal contra tudo que você acredita. Quanto maior o mercado, mais corredores apinhados de comida embalada, mais conservantes, mais marcas, mais preços altos, mais sacolas de plástico. Mais personagens pra conquistar as crianças. Mais personagens pra humanizar aquela caixa perante um adulto. Mais refrigerantes, mais “sucos” industrializados, sob a chancela de serem light, zero, plus, como se isso fosse bom ou melhor.

Encontramos pães, bolos e biscoitos com todos aqueles nomes indecifráveis nos ingredientes. E esse “T” pilantra que apareceu agora? Transgênico, carimbado no seu biscoito preferido! Hoje, inofensivo, amanhã, ninguém sabe. Nos iogurtes, veja lá: todos os sabores das frutas, mas não são as frutas. São só os sabores. Sabores “idênticos ao natural”. E vamos nos tornando isso, idênticos ao natural, mas de natural mesmo, o que temos?

Temos as folhas e frutas orgânicas, custando dez vezes mais do que as outras. Ou aquelas cheias de agrotóxicos, que lavamos e lavamos, e deixamos de molho, e colocamos mais um industrializadinho pra poder filtrar um pouco todos os venenos já espirrados ali. E aí, você, mortal com verba limitada no mês, que não pode bancar o dia-a-dia do orgânico, fica naquele beco sem saída: nos envenenamos com o morango de preço acessível, um dos mais transmutados e envenenados que existe, ou partimos pro Danoninho, que de morango não tem nada, nem a cor (o rosa é a cor da cochonila, um vermezinho usado morto e amassado nos industrializados), mas que vale mais que um bifinho (!)?

O que é pior, o que é melhor, temos como saber, temos como escolher?

Eu, mais do que cismar com a carne e me sensibilizar com o ser que ela foi antes de virar um pacote, cismo mesmo é com a falta de naturalidade em praticamente tudo que temos pra consumir, com essa tendência a facilitar, artificializar, convencer pelo design da embalagem e cultuar o prazer do sabor e da comodidade.

Enquanto meus pensamentos me consomem, um funcionário do mercado berra as promoções num volume mais alto do que qualquer criatura querendo fazer compras em paz poderia suportar e vejo que todos em volta estão completamente surdos pra pensamentos como o meu, porque na verdade estão escutando a promoção do minuto, correndo e se debatendo pra pegar o salame com cinquenta centavos de desconto.

E tenho a certeza que não refletir, não criticar o rumo da industrialização, da alimentação, e simplesmente fechar meus olhos e nadar a favor dessa corrente seria muito mais difícil pra mim. A gente tem que viver nossa verdade. Essa é a minha. É assim que eu penso, é assim que eu sinto. Acreditar em algo e não o viver que não é certo.

Mas essa não comunhão de pensamentos com a maioria muitas vezes dói… Como a gente quer ser aceito né?

A arte de curar-se através do poder da mente

11 Ago 2011 Categoria: Citações

O agora é tudo o que existe. Embora vivamos num mundo voltado para o tempo, só podemos viver o momento presente. Aquilo que chamamos de passado é apenas um punhado de outros momentos presentes, recordados ou registrados e experimentados como conhecimento neste presente.

(…) Quanto ao futuro, não existe absolutamente nada definido a respeito dele. Ele se desenvolve a partir de seus pensamentos atuais, inclusive dos habituais aos quais você não presta muita atenção. Você está, neste exato momento, plantando as sementes do seu futuro. Entretanto, como você tem o poder de mudar os seus pensamentos, o futuro é uma série de probabilidades em vez de um destino fixo. Você não é, de forma alguma, uma vítima do passado, nem tampouco do presente. Os hábitos anteriores de pensamentos e comportamento não determinam o seu futuro a não ser que você o permita, e você não precisa fazer isto. Como diz o ditado, colhemos aquilo que semeamos. Seus pensamentos são as sementes, as emoções o fertilizante e a época do plantio é agora.

(…) Não importa quais as limitações que você possa julgar ter, elas só são limitações porque você assim as considera. E enquanto continuar pensando que elas o estão impedindo de fazer o que você deseja realizar, é exatamente isto que elas farão. Se você quiser se libertar da armadilha, não pense nelas como limitações e sim como condições ou fatores que você precisa levar em consideração na sua estratégia para atingir o êxito na sua vida. O que uma outra pessoa pode fazer, você também pode. Talvez você não esteja interessado em fazê-lo com a mesma intensidade, mas você certamente é capaz de realizá-lo no grau que quiser. Se encaradas como condições com as quais você tem que lidar, as limitações deixam de ser barreiras no seu caminho de vida para se tornarem, em vez disso, condições do percurso. Rochosas, escorregadias, sinuosas ou íngremes, elas determinam apenas o que você terá que fazer para chegar ao fim; elas não o impedem de chegar lá. Você mesmo é quem cria os obstáculos ao se sentar e ficar reclamando das condições do percurso em vez de simplesmente avançar. E você tem o potencial para suavizá-lo.

(…) Você (…) é o senhor do seu destino individual. A vivência reflete a crença, e você tem o poder de mudar quaisquer crenças ou opiniões que sejam ineficazes para lhe proporcionar a experiência que você deseja.

(…) Não (…) há resultados instantâneos. Algumas vezes isso até pode acontecer, mas não é a norma. (…) As vivências que criamos tendem a prosseguir por algum tempo, mesmo depois de termos alterado o nosso modo de pensar. Uma outra maneira de dizer isto é que muitas vezes temos de conviver durante algum tempo com os frutos das nossas opiniões passadas. O tempo em que seu efeito perdura depende do período durante o qual alimentamos essas opiniões, de quanta emoção esteve envolvida ou desejo investimos nas novas. (…) Fique ciente deste fato para não se desencorajar antes de alcançar os resultados. Mudar as opiniões realmente altera a experiência, mas em muitos casos você vai precisar de paciência e persistência para levar adiante o processo. (…) As recompensas valem o esforço. Viver com sucesso é uma habilidade e, como qualquer habilidade, é preciso prática para ser dominada.

Serge King

Hermann Hesse

10 Ago 2011 Categoria: Citações

“Você trazia no íntimo uma imagem da vida, uma fé, uma exigência, estava disposto a feitos, a sofrimentos e sacrifícios, e logo aos poucos notou que o mundo não lhe pedia nenhuma ação, nenhum sacrifício nem algo semelhante; que a vida não é nenhum poema épico, com rasgos de heróis e coisas parecidas, mas um salão burguês, no qual se vive inteiramente feliz com a comida e a bebida, o café e o tricô, o jogo de cartas e a música de rádio. E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo, a veneração pelos grandes poetas ou a veneração pelos santos, não passa de um louco ou de um Quixote. (…) Você tem razão, Lobo da Estepe, mil vezes razão, e contudo terá de perecer. Vive demasiadamente faminto e cheio de desejos para um mundo tão singelo, tão cômodo, que se contenta com tão pouco; para o mundo de hoje em dia, que lhe cospe em cima, você tem uma dimensão a mais. Quem quiser hoje viver e satisfazer-se com sua vida, não pode ser uma pessoa assim como você ou eu. Quem quiser música em vez de balbúrdia, alegria em vez de prazer, alma em vez de dinheiro, verdadeiro trabalho em vez de exploração, verdadeira paixão em vez de jogo, não encontrará guarida neste belo mundo…”

Uma lição de equilíbrio

26 Abr 2010 Categoria: Citações

Eu acompanhava um amigo à banca de jornal.
Meu amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro.
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, meu amigo sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.
Quando nós descíamos a rua, perguntei:
- Ele sempre lhe trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E por que você é sempre tão educado, já que ele é tão rude com você?
- Por que não quero que ele decida como eu devo agir.

Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que nos transformam. Nós é que transformamos os ambientes.

Aos que criticam a religião alheia

20 Mar 2010 Categoria: Citações

Praticantes de religiões distintas tem em comum somente uma coisa: a fé. O restante é instrumentalização representada por seus rituais, divindades, visões do mundo, etc. Estes instrumentos que são procedimentos e objetos simbólicos, servem para que o praticante expresse sua fé, logo, não cabendo críticas de quem não as utiliza.

A crítica pode partir sim, de um praticante daquela mesma religião e que questiona o modus operandis de sua prática, e nunca de alguém de fora, de outra religião. Quando vemos alguém que diz pertencente de uma determinada religião criticar uma outra, podemos ter certeza que esta pessoa não sabe nem vive o sentido da fé.

Assim como é tola uma colocação como: meu deus é mais poderoso que seu deus, é igualmente tola, uma colocação como: sua religião é uma bobagem por estes e estes motivos… Pois, ao fazer esta crítica, o crítico só poderá estar criticando o modo de prática religiosa do outro e nunca, a fé do outro, que é o que interessa na prática religiosa, pois é o que nos faz alinharmo-nos com o Divino, seja ele que nome tenha.

A televisão apresentou anos atrás uma das manifestações mais imbecis de crítica religiosa já vista, que foi a de um pastor de uma igreja evangélica, chutando uma santa católica. Dizia ele ser aquilo apenas uma estátua.

Nada mais óbvio e de profunda ignorância religiosa, pois claro que os católicos sabem que aquilo é apenas uma estátua mas além de uma estátua, um símbolo sagrado que encerra em si Mistérios relativos a sua fé. Estes símbolos têm um significado na esfera profana e outra na esfera do sagrado.

Aquele que critica um símbolo sagrado, ou seja, uma representação da fé do outro, não demonstra nada além de uma insegurança em relação a sua própria fé, visto que estão no rol daqueles medíocres que para se sobressaírem e valorizarem a si mesmo e ao o que é seu, precisam tentar diminuir o outro.

É por compreender e distinguir pessoas de fé, que vemos em comunhão e caminhando lado a lado pessoas de religiões distintas, pois o que os une não são suas religiões e sim, a fé, esta demanda da alma presente em todo o humano que busca trilhar o caminho da maturidade espiritual.

Antes de criticarmos a religião alheia, pensemos que, embora prática distinta, o que este outro faz, nada mais é do que exercer sua fé, de um modo diferente do nosso mas sempre com uma mesma direção, o encontro com o Divino e com nós mesmos.

Ô de casa

Amanda Sul, 28 anos, Rio de Janeiro. Jornalista, pós-graduada em Design Digital, trabalha com Mobilidade no O Globo.

Interesses

Fotografia, design, livros, filmes, discos, museus. Viagens pro meio do mato, incenso, natureza, ashtanga yoga. Comida gostosa e saudável, sorrisos, cachorros. Realizações, expansões, equilíbrios.

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